Sofismar é a regra!? Vale tudo para brincar com sua inteligência e te enganar?

Hoje o que se observa muito nas mídias sociais, mas muito mesmo, são conteúdos forçadamente empoderadores que fazem com que as pessoas acatem que podem tudo e que o “sucesso”, a “felicidade” e a “riqueza” (para citar apenas alguns) é apenas uma questão de seguir os “10 passos” (regras mágicas) que tudo acontecerá exatamente como teria acontecido com muitos outros que percorreram a mesma trajetória ou os mesmos “10 passos”. Tudo SOFISMA!

Sofisma (ou sofismo em filosofia) é um raciocínio ou falácia que se leva a uma refutação aparente, refutação sofística e também a um silogismo aparente, ou silogismo sofístico, mediante os quais se quer defender algo falso e confundir o contraditor. Sofismar é um verbo transitivo direto (ou mesmo intransitivo) que configura argumentação ou raciocínio que fora concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. Estabelece-se através de uma argumentação que aparenta verossimilhança ou veridicidade, mas que comete involuntariamente (ou mesmo voluntariamente, até com certa desonestidade) incorreções lógicas e paralogismo.

Vejamos um exemplo que ilustra bem o SOFISMAR:

Três pessoas vão a um restaurante, cuja conta final (pós se alimentarem) deu R$ 250,00. Para pagar, cada um entrega ao garçom uma nota de R$ 100,00 somando R$ 300,00. O garçom traz 5 notas de R$ 10,00 como troco (R$ 50,00 portanto), devolvendo R$ 10,00 para cada um dos três e ficando com R$ 20,00 de gorjeta (um pouco menos que os 10% clássicos), o que todos os três aprovam sem questionamento. Pense: se cada um deu R$ 100,00 e recebeu R$ 10,00 de troco, então cada um deu R$ 90,00 objetivamente, portanto R$ 90,00 × 3 = R$ 270,00. Com mais R$ 20,00 de ficou de gorjeta, totaliza-se R$ 290,00. Cadê os R$ 10,00 faltantes aos R$ 300,00 que foi entregue ao garçom?

No exemplo acima, a partir do PENSE entra em campo o sofisma. Uma argumentação com total cara de lógica, mas que carrega um erro crasso que fica imperceptível a mentes mais influenciáveis e/ou com menos vontade de realmente pensar. Quando se induz a somar mais R$ 20,00 aos R$ 270,00 já pagos, é aí que incorre o sofisma, uma vez que o correto seria subtrair dos R$ 270,00 os R$ 20,00 que já estão inclusos na conta de R$ 270,00, ou seja, R$ 250,00 + R$  20,00 resulta nos R$ 270,00. Induzir a somar os R$ 20,00 aos R$ 270,00 caracteriza o sofismar.

Esta é a prática que vejo acontecendo de forma peremptória (como diria o antigo político e candidato estranho, ENÉAS, mas de cultura vasta) nas mais diversas mídias. Uma gama de profissionais (bons ou ruins, eu nem sei mais) que utilizam argumentos de VENDAS PERSUASIVAS que mais usam de sofisma (sem sequer que existe o termo) do que a verdade prima.

É uma pena, porque ilude os que querem suprimir etapas, encoraja os despreparados e traz uma percepção de que tudo é uma questão que independe das circunstâncias, do preparo extenuante, e até do merecimento (a primeira de nossas 30 Leis do Olho de Tigre). Há uma de nossas leis (a Lei da Vaga Limitada) que contraria diametralmente esta prática que conceitua que nem todos vão chegar onde desejam pela simples possibilidade de alguém desejar a mesma coisa e poder merecer mais do que você próprio.

Parece que virar “palestrante” é uma questão simples de apenas seguir os passos de alguns que sistematizaram este processo (de quem será que estou falando?); parece que transformar-se em “Coach” é apenas fazer um curso e pronto, estarás empoderado para atender pessoas com problemas (conhece alguém ou algumas empresas que fazem isto?); parece que ficar “rico” é apenas uma questão de cumprir os passos que alguém inventou e que pode ter sido útil para si próprio (tem alguma empresa estrangeira fazendo isto?); parece que atingir o “sucesso” (seja ele o que for para você) requer apenas que conviva com gente assim e os imite ao máximo que puder (mesmo ficando ridículo) para lograr êxito (tem gente se dedicando a isto hoje?); parece que para “conseguir emagrecer” basta fazer a cirurgia bariátrica e comer menos (porque se reduziu o tamanho do estômago) quando se fizesse exatamente o que terá que fazer depois da cirurgia emagreceria da mesma forma, só que sem a intervenção invasiva (conhece gente se rendendo a isto atualmente, porque desistiu de si mesmo?); parece que atingir o estado máximo de beleza requer inúmeras intervenções artificiais e exageradas sobre seu próprio corpo que beira a aberração (conhece alguém assim cada vez mais próximo de você?). Enfim parece que tudo é conquistável e nada mais é impossível.

Tudo ENGANAÇÃO amigo, ou mais filosoficamente expressando, tudo SOFISMA! Tem coisa que é impossível sim e outras que sequer vale a pena pela futilidade implícita.

Sem vocação, sem talento, sem base sustentável e sem bom senso, as coisas não vão adiante amigão, faça você o que quiser! Não vai adiantar eu colocar na minha cabeça que correrei (um dia) melhor que o USAIN BOLT (por mais que eu me mate de treinar) que esta premissa vai além do meu limite, pois existe um limite para cada um de nós. Superar uma LIMITAÇÃO (máscara do limite, veja Lei da Coragem) é importante, muito desafiador e totalmente possível, mas superar um LIMITE beira a loucura e também o risível. O que estão propondo por aí para algumas pessoas se assemelha a metáfora de prometer que um peixe poderá subir numa árvore e lá sobreviver por bastante tempo. É pura sacanagem, mas “cola” para uma grande quantidade de pessoas, ávidas por sonhar com algo diferente do que já tem.

SOFISMAR é possível, tanto que o termo existe para ser aplicado, mas tornar isto uma regra de vida é o que consiste numa crítica que vale a pena refletir. Porque em algum momento as pessoas vão perceber, vão se atentar que foram enganadas, e isto vai dar polícia. Vai por mim!